LULA PODE REELEGER BOLSONARO

Lula vem liderando todas as pesquisas seguido por Bolsonaro. Ambos têm trabalhado sistematicamente para inviabilizar qualquer candidatura alternativa, sendo forçoso reconhecer que, até o momento, conseguiram alcançar tal objetivo.

A cada semana uma nova pesquisa é divulgada mostrando mais pessoas afirmando que não pretendem alterar sua atual opção de voto. E quanto mais a chamada terceira via demorar a se entender, mais o quadro de polarização se consolidará.

A outra novidade que vem sendo apresentada é a tendência de redução na distância entre os dois líderes, numa curva que, segundo especialistas na área, indica a possibilidade de um cenário de empate técnico no final desse semestre.

Se antes os apoiadores do ex-presidente estavam convencidos que a meta era garantir sua vitória no primeiro turno, atualmente lutam para evitar uma a possível derrota no segundo turno. Claro que ainda há quem considere essa hipótese improvável, mas há alguns fatos recentes que apontam para sua concretização.

O comportamento das lideranças do Centrão integrantes das bancadas que representam os nove estados do Nordeste é um deles. Como profissionais políticos, sempre se movimentam movidos pela expectativa de poder. Nas eleições anteriores ficaram, em sua maioria, apoiando as candidaturas petistas.

Atualmente, mesmo com o favoritismo de Lula na região e o apoio de quase todos os governadores, é grande o número de parlamentares daquele grupo que se mantêm fieis à campanha de reeleição do presidente, contrariando previsões de muitos analistas. Basta ver como foi esvaziado o jantar com Lula promovido por Renan Calheiros e Eunício Oliveira no dia 14 de abril.

Outro forte indício foi o resultado das transferências realizadas na recém-encerrada janela partidária, quando PL, PP e Republicanos, os três principais partidos governistas, passaram a contar com 179 parlamentares, o equivalente a 35% dos assentos na Câmara dos Deputados. De outro lado, os partidos de oposição encolheram suas bancadas de 147 para 126.

O recente caso do ignóbil deputado Daniel Silveira permitiu ao presidente animar ainda mais sua tropa de apoiadores em sua estratégia de confrontar o STF. Também conseguiu agradar aquela parcela da sociedade que, apesar de não declarar abertamente o voto, se sente representada por frases como “o STF está passando dos limites” ou “Quem esse Xandão pensa que é?”.

Já as notícias vindas da campanha do ex-presidente revelam um clima de certa perplexidade diante da tendência de recuperação de Bolsonaro. O primeiro movimento na tentativa de correção de rumo foi a recente troca do profissional responsável pelo marketing. E ainda pode haver mais mudanças na área, pois, enquanto escrevo essa coluna, circulam notas indicando a substituição de Franklin Martins por Edinho Silva na coordenação. Claro que comunicação é chave em uma campanha eleitoral, mas é ingenuidade acreditar que essa alteração na equipe resolverá todos os problemas.

O próprio Lula tem dado sinais de impaciência combinada com certo cansaço, o que tem prejudicado seu reconhecido talento para se comunicar com a população. Experiente e sagaz como é, deve ter percebido que o buraco é mais embaixo. Tudo indica que, desde a recuperação dos direitos políticos, pela primeira vez ele está sentindo o bafo de seu adversário no cangote.

Esse quadro evidencia um dilema que faz parte da história dele e do PT como apontei na coluna de 1º de abril (“Lula pode abrir mão da candidatura”). Eles têm vendido a ideia de que são a única possibilidade de vitória contra Bolsonaro. Porém, essa convicção começa a ser confrontada pela realidade. Não à toa começaram a divulgar a proposta de criação de uma frente ampla. O problema é que só vale se Lula for o candidato. Não abrem espaço para discutir um programa de consenso que norteie um futuro governo de união capaz de pacificar o país.

Claro que o maior desafio para quem defende a democracia é conseguir evitar, nas urnas, a reeleição do presidente. Tudo indica que os danos decorrentes de mais quatro anos de mandato poderão ser terrivelmente desastrosos.

Porém, o cenário que vem se desenhando pode nos levar a uma situação até pouco tempo atrás considerada improvável: a vitória de Bolsonaro. Ela seria viabilizada como consequência do mix formado por medidas eleitoreiras, a retomada com força do sentimento antipetista e a rejeição ao STF. Assim, é muito adequado para o presidente ter Lula como o único adversário na disputa. Ele pode se tornar responsável pela reeleição do presidente.

Orlando Thomé Cordeiro é consultor em estratégia

Coluna publicada no jornal Correio Braziliense edição de 29/04/2022 https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2022/04/5004089-analise-lula-pode-reeleger-bolsonaro.html

Leia também https://focanaestrategia.com/lula-pode-abrir-mao-de-candidatura/

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